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Fim da taxa do agro reabre debate sobre custos no campo e infraestrutura em Goiás

Revogação atende pressão do setor rural, alivia custos no campo e reforça alinhamento do Estado com o agronegócio, ao mesmo tempo em que desloca o debate sobre o financiamento da infraestrutura.

Foto: internet

O governo de Goiás anunciou a revogação da chamada “taxa do agro”, contribuição vinculada ao Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra) que vinha sendo cobrada dos produtores rurais desde 2022 para financiar obras rodoviárias e de logística. A medida prevê o fim da cobrança a partir de 2026 e encerra um dos temas mais sensíveis na relação entre o poder público estadual e o setor produtivo rural nos últimos anos.

A decisão ocorre em um contexto de forte pressão do agronegócio, que apontava a taxa como mais um custo em meio ao aumento dos preços de insumos, à instabilidade climática e à oscilação das commodities. Para os produtores, o fim da contribuição representa alívio financeiro imediato e maior previsibilidade para o planejamento da próxima safra, além de sinalizar um ambiente mais favorável a novos investimentos no campo.

Por outro lado, a extinção da taxa levanta questionamentos sobre o financiamento das obras de infraestrutura que estavam previstas com recursos do fundo. O governo estadual afirma que os projetos em andamento serão mantidos e que os investimentos continuarão por meio de outras fontes orçamentárias, o que exigirá reorganização fiscal e prioridades mais claras dentro do orçamento público.

O fim da taxa do agro também tem leitura política. A medida atende a uma demanda histórica do setor rural, que tem peso econômico e influência institucional no estado, e reforça o discurso de alinhamento do governo com o agronegócio, considerado um dos principais motores da economia goiana.

Em síntese, a revogação da taxa representa um ganho direto para os produtores e tende a melhorar o ambiente de negócios no campo, mas impõe ao Estado o desafio de manter os investimentos em infraestrutura sem a receita específica que sustentava o fundo. O equilíbrio entre estímulo à produção e sustentabilidade fiscal passa a ser o próximo teste dessa decisão.